por PY1-NW, Manuel
Para muitos, uma estação repetidora é uma incógnita. Nestes artigos, vamos mostrar como é o funcionamento de um repetidor, as características especiais que uma repetidora deverá ter em função das necessidades de funcionamento e da própria legislação vigente. Constituição De Um Repetidor
Basicamente, um repetidor é constituído de: um receptor, um transmissor, uma placa de identificação, uma placa de controle, uma placa de BIP, uma placa de C.O.R. (Carrier Operated Relay), que é a responsável pelo funcionamento do repetidor, e uma antena ou mais, completando o sistema.
C.O.R.
O C.O.R. é um circuito que fica sempre em espera, verificando se há alguém acionando o repetidor, ou seja, se há um sinal presente no receptor. No momento em que ele é detectado, o C.O.R. aciona imediatamente o transmissor, fazendo com que o áudio presente no receptor seja retransmitindo.
O C.O.R. é ainda responsável por outras tarefas. Uma delas é impedir que o QSO exceda de 3 minutos. Caso o comunicado ultrapasse 3 minutos, o C.O.R. tira a repetidora do ar, retornando apenas quando o interlocutor parar de transmitir.
Outra das funções do C.O.R. é deixar o transmissor no ar ainda por 5 segundos quando o operador parar de transmitir. Neste intervalo, geralmente, é incluído um BIP, indicando, sonoramente, que o radioamador parou de transmitir.
Os Identificadores
O Telegrafo
Todos os repetidores são obrigados a ter um sistema de identificação. Muitos repetidores fazem uso de um identificador em Código Morse. As placas mais antigas, usadas para esta finalidade, tinham em seu circuito uma matriz de diodos, com a qual se podia programar o indicativo da repetidora. Além de tamanho avantajado, estas placas só permitiam que se programasse o indicativo da repetidora, deixando de lado outras informações, tais como, localização, entidade mantedora, etc. Quando as repetidoras tinham indicativos com números (ex: PY1-009), para melhor aproveitar esta matriz, os números eram abreviados. A abreviação do número zera era a letra "T".
Em substituição aos diodos, surgiu uma placa com uma memória EPROM, onde são gravados os sinais telegráficos. Com a vinda dessas novas placas, pode-se gravar o que não podia ser feito com a placa de matriz de diodos. Para que se possa gravar os dados na EPROM, é necessário que se faça uso de um gravador de EPROM, ou um computador com esse acessório.
O de Voz
Basicamente, a placa identificadora de voz é constituída de uma memória não volátil, que grava, através de um microfone, o indicativo da repetidora, além de outras informações, dentre elas, o local de instalação da repetidora. Esta placa possui, ainda, um temporizador responsável pela entrada da identificação a cada 10 minutos. O identificador de voz, além de moderno, veio trazer o acesso da identificação aos radioamadores das classes iniciantes, que não precisaram fazer exame de telegrafia para a habilitação.
O BIP
Está placa é responsável por um tom de freqüência de áudio, indicando que o operador que estava usando o repetidor, soltou o PTT. Está placa é constituída de dois temporizadores. Um é responsável pelo tempo de entrada do BIP, e o outro pelo "tamanho" do BIP. A placa possui ainda, um oscilador de áudio, que gera o próprio BIP.
A Placa de controle
Todas as repetidoras deverão ter um sistema que possibilite o seu desligamento remotamente. Esta placa possui um decodificador DTMF (Dual Tone Mult-Frequencial) que é o componente principal desta placa. Este decodificador identifica o código de desligamento do repetidor e fez o procedimento.
O Duplexador
Quem já transmitiu para uma repetidora, e tentou escutar o retorno da mesma com outro rádio, certamente notou que a sua transmissão dessensibiliza o receptor usado para monitoração. Nas repetidoras acontece o mesmo, ou seja, a sensibilidade do receptor fica altamente prejudicada.
Para que esse problema seja resolvido, as repetidoras fazem uso de filtros especiais, que são os duplexadores. Os duplexadores são requisitos necessários para o bom funcionamento das estações repetidoras. Os duplexadores são constituídos de cavidades ressonantes que, quando colocadas na recepção, atenuam praticamente a zero as interferências próximas, incluindo as do transmissor. Quando colocadas no transmissor, as cavidades atenuam os harmônicos gerados pelo transmissor, deixando passar apenas a freqüência desejada.
Existem vários tipos de duplexadores. Entre eles destacam-se os filtros de banda passante, os de banda rejeitante e os de banda passante/rejeitante. Estes últimos, os de banda passante/rejeitante, são os mais adequados para uso em repetidoras, pelo trabalho superiro que os mesmo proporcionam.
A Construção Dos Duplexadores
Basicamente, cada cavidade (em geral são usadas seis num sistema repetidor) é constituída externamente de um tubo com 55 cm de altura por 13 cm de diâmetro. Internamente possui um pistão ajustável por um parafuso de acesso externo. Internamente, o sistema possui ainda, dois elos, ou links, conectados externamente, cada um, a um conector tipo UHF. Esses "canecos" são feitos de material apropriado, que não dilatam com a variação da temperatura ambiente, mantendo a estabilidade do sistema. As dimensões indicadas acima são para VHF.
No conjunto de cavidades, três são usados em recepção e três em transmissão. Para um ajuste preciso das cavidades é necessário o uso de um gerador de radiofreqüência calibrado, e de um analisador de espectro de radiofreqüência. Estes equipamentos permitem que se veja a curva de resposta dos filtros, possibilitando um ajuste fino.
Uma outra vantagem no uso de duplexadores, é que os mesmos permitem que se use apenas uma antena, e um único cabo coaxial, tanto para recepção quanto para transmissão. Isso faz com que o diagrama de irradiação de uma antena seja igual, tanto para transmissão quanto na recepção.
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